Depois do sofrimento de ver a mulher viciada em drogas ser internada há um mês por causa de uma pneumonia, o catador de recicláveis Paulo César Rodrigues, de 40 anos, enfrenta a dor de perder a guarda das duas filhas mais novas. As jovens, de 9 e 15 anos, foram impedidas de morar com o pai, em Ribeirão Preto (SP), por causa das condições inadequadas de higiene em que viviam. Nesta terça-feira (29), nove toneladas de lixo foram retiradas de dentro da casa da família.
O caso chegou ao conhecimento do Conselho Tutelar depois que policiais militares entraram na residência na tarde de segunda-feira (28) em busca de uma arma e teriam flagrado Rodrigues fumando crack na sala. A versão é contestada pelo morador. “Sei que eu tenho uma doença, mas jamais usaria [drogas] na frente das minhas filhas. Elas estão saudáveis, estão matriculadas na escola, não ficam um dia fora da aula. Não precisavam tirá-las de mim”, afirmou.
Ao contrário da suspeita, nenhuma arma foi apreendida no local. Os policiais encontraram, porém, muito lixo, roupas, comida e móveis velhos espalhados por todos os cômodos. Foram necessários três caminhões para recolher toda a sujeira na manhã desta sexta-feira. O local tinha até ninhos de ratos.
O trabalho de limpeza da cidade de Ribeirão Preto contou com a ajuda do catador. Rodrigues disse que a casa ficou nessa situação depois que perdeu o emprego como ajudante de obras e passou a recolher materiais recicláveis para vender. “Agora, quero colocar tudo em ordem para ter minhas filhas de volta. Só penso nisso.”
O catador reconhece também que o vício em crack – Rodrigues e a mulher são dependentes – prejudicou o relacionamento da família. Por isso, há um ano buscou tratamento em um dos Centros de Atenção Psicossocial de Ribeirão, mas confessa que não comparece a todas as consultas semanais.
“Eu sei que tenho culpa pela minha família chegar a essa situação, mas é muito difícil. Eu perdi dois filhos na criminalidade. A droga acaba com a gente. Eu vou retomar meu tratamento, não quero ficar longe das minhas filhas que eu amo.”
A Prefeitura Municipal de Ribeirão informou que as duas menores permanecerão sob a guarda de uma irmã mais velha, de 21 anos, enquanto a residência do pai é limpa e readequada às condições mínimas de higiene. Após esse período, elas retornarão para a casa da família.
Fonte: G1