O Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP), que atende pacientes de aproximadamente cem cidades da região, anunciou nesta segunda-feira (8) uma reestruturação para priorizar casos médicos de maior complexidade. O objetivo é reduzir o número de consultas para amenizar filas em especialidades como a oncologia. De acordo com o Departamento Regional de Saúde (DRS XIII), que responde por 26 cidades, a medida não afetará pacientes da região. Para a Secretaria Municipal de Saúde da cidade de Ribeirão Preto, o HC deve abrir mão de parte dos recursos que recebe do governo para que os municípios tenham acesso aos serviços que não serão mais prestados no complexo hospitalar.
Antes de passarem a valer as mudanças, um contrato deve ser assinado com o Estado, em data não definida. Segundo o superintendente do HC, Marcos Felipe de Sá, a unidade apresentou às diretorias regionais um mapa com sua capacidade de atendimento e que permite prever em quanto tempo um paciente passará por todos os procedimentos dentro do Hospital das Clínicas. “A nossa oferta se baseou desde a entrada do paciente até a resolução completa do problema. Não basta atender no ambulatório se depois não tiver prosseguimento, se necessitar de exames complementares, de internação, de cirurgia”, afirmou.
Para isso, o HC se comprometerá a atender apenas casos de maior complexidade, dentre eles o tratamento do câncer – uma lei que entra em vigor em maio determina que o hospital atenda um paciente com neoplasia no prazo de 60 dias a partir do diagnóstico. Por outro lado, casos de média complexidade deverão ser encaminhados para hospitais de outras cidades.
Em setores como de oftalmologia, por exemplo, ao menos 5,3 mil consultas deixarão de ser realizadas. “O HC sozinho é incapaz de dar conta da demanda para uma região de quase quatro milhões de habitantes. Não podemos continuar sendo a única referência para uma série de especialidades médicas como tem sido nos dias de hoje.”
Departamento Regional de Saúde
Segundo Ronaldo Capelli, diretor do DRS 13, que representa 26 cidades, dentre elas a cidade de Sertãozinho (SP), Jaboticabal (SP) e Ribeirão Preto (SP), as alterações serão discutidas para que o atendimento médico em diferentes especialidades não cobertas pelo Hospital das Clinicas não seja prejudicado. O plano de gestão que o departamento vai elaborar deve passar antes por uma avaliação sobre a falta de profissionais na região em áreas como neurocirurgia e ortopedia, por exemplo.
Segundo ele, os municípios têm condições de prestar atendimento nas áreas de baixa e média complexidade em que o HC deixar de atuar. “Precisamos chegar a um acordo, não vejo dificuldade. Quanto à população ser prejudicada, o Hospital das Clínicas sempre prestou serviços de qualidade para a região e vai continuar. A gente só precisa de fato ser o gestor”, disse.
Secretaria Municipal
Stênio Miranda, secretário municipal de Saúde de Ribeirão Preto (SP), maior cidade da região atendida pelo HC, disse ter recebido com “estranheza” o anúncio da reestruturação. “Quem deve definir os serviços prestados é o gestor, é o Estado. O HC deve seguir as diretrizes”, afirmou.
Ele acredita que o Hospital das Clínicas deve prescindir de parte dos recursos que recebe do Ministério da Saúde para que os municípios possam contratar serviços médicos de outras unidades médicas. “Os procedimentos executados pelo HC são remunerados em parte por recursos financeiros do Sistema Único de Saúde [SUS]. Se eles não vão mais fazer determinados procedimentos, devem abrir mão do que recebem para que os municípios utilizem esses recursos e comprem de outros prestadores.”
Fonte: G1