Hospitais de Ribeirão Preto aderem à paralisação e reagendam pacientes

Os hospitais de Ribeirão Preto (SP) que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS) aderiram à mobilização nacional organizada por entidades médicas contra a importação de médicos estrangeiros sem a revalidação do diploma e cancelaram seus atendimentos eletivos nesta quarta-feira (3). Duas das principais instituições deixaram de receber juntas cerca de 600 pacientes.

É o caso da aposentada Lazara Zeli, de 61 anos, que saiu de Jardinópolis (SP) com a filha na manhã desta quarta para ser atendida na Santa Casa de Ribeirão, o que não ocorreu. Com a mão quebrada há um mês e muitas dores por causa da lesão, ela não recebeu atendimento e terá que voltar ao hospital na próxima semana. “É um absurdo que não nos avisem de que a consulta da minha mãe seria remarcada. A gente gastou dinheiro com ônibus só para vir aqui e agora vamos ter que esperar ainda mais”, disse a filha de Lazara, Lucinete Cristina.

Na Santa Casa, cerca de 300 consultas agendadas foram remarcadas para outros dias. Segundo o diretor clínico do hospital, Luiz Cláudio Fontes Mega, a maioria dos pacientes foi avisada sobre a remarcação dos atendimentos e casos como o de Lazara são isolados. “Estamos avisando os pacientes desde ontem. Infelizmente, alguns acabam não sendo avisados, mas são poucos. A gente pede a compreensão da população, pois a intenção dessa mobilização é que a saúde pública do país melhore”, comentou.

O diretor garantiu que todas as consultas eletivas foram remarcadas e que os atendimentos de urgência e emergência estão ocorrendo normalmente. Sobre o ato nacional, Mega disse que não é contra a contratação de médicos estrangeiros no país, mas não concorda com a forma como o Governo Federal está tratando o assunto. “Tenho três médicos bolivianos, um peruano e uma cubana que trabalham na Santa Casa. Não vejo problema nisso. O que não pode é contratar sem revalidar o diploma”, opinou.

Beneficência e HC

O advogado e administrador do Hospital Beneficência Portuguesa, Vitório Eduardo Araújo, informou que 287 pacientes deixaram de ser atendidos na instituição e tiveram que ser reagendados para a próxima semana. Segundo ele, do total de atendimentos que deveriam ter sido realizados nesta quarta, 180 eram ambulatoriais e 107 eram consultas eletivas.

“Muitos pacientes são de outras cidades e outros moram em bairros periféricos. Então, todos eles foram avisados previamente por telefone, para evitar transtornos no caso de se deslocarem ao hospital”, comentou Araújo. Segundo ele, cirurgias, atendimentos de urgência e emergência e internação não foram cancelados na instituição.

HC





O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP informou em nota que, em razão da mobilização, poderá haver eventuais dificuldades no atendimento apenas no período da tarde. “O hospital pede a compreensão dos pacientes caso haja eventuais atrasos e remarcações de consultas e informa que está trabalhando para que os prejuízos sejam os menores possíveis”.

Programa do governo

O programa que está sendo estruturado para atrair médicos brasileiros e estrangeiros para atuar no interior do Brasil vai oferecer salário de R$ 10 mil, segundo o Ministério da Saúde. As regras ainda estão sendo definidas, mas é provável que o valor seja fixo independente da região em que os profissionais atuem.

A intenção do ministério é atrair primeiro médicos brasileiros para suprir a ausência de profissionais em municípios distantes. Caso a mão-de-obra não seja suficiente, estrangeiros devem ser aceitos, provavelmente com autorização de trabalho por um período determinado, diz a pasta.

Ainda não há um número definido de vagas no novo programa, mas o ministério diz ter uma ideia da demanda pelo número de postos não preenchidos na última edição do Programa de Valorização do Profissional da Atenção Básica (Provab), no qual municípios se inscrevem para receber médicos bolsistas. Segundo a pasta, cerca de 13 mil vagas foram abertas na última edição do Provab, mas só 3,5 mil médicos estão atuando no programa, o que indica que de 9 a 10 mil vagas não foram preenchidas.

Deve haver avaliação do currículo dos estrangeiros e da atuação do profissional no país de origem, além do seu histórico de trabalho e outros critérios de seleção, diz o ministério. O mais provável, diz a pasta, é que os estrangeiros interessados no programa permaneçam por um período de avaliação de três semanas em uma universidade ou instituição de ensino superior brasileira – ainda não está definido como as instituições farão a adesão ao novo programa.

O programa pode vir a englobar estrangeiros que não fizeram revalidação do diploma, desde que eles passem por avaliação e haja um prazo de trabalho definido, afirma a pasta.

O ministério diz ainda que países com menos médicos por habitantes do que o Brasil (média de 1,8 médicos para cada mil habitantes) não devem ter profissionais incluídos no programa. Isso deixa de fora Peru (0,9 médicos para cada mil habitantes), Paraguai (1,1 médicos para cada mil habitantes) e Bolívia (1,2 médicos para cada mil habitantes), ressalta a pasta.

A prioridade deve ser para a vinda de médicos de Portugal e da Espanha, diz o ministério, por serem países com proximidade na língua e por terem bons centros de formação em saúde. O desemprego e a crise econômica que afetam esses países também são critérios levados em conta pela pasta para priorizá-los.

Fonte: G1





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