Ribeirão tem 26 vagas de internação para 39 mil dependentes químicos

Com apenas 26 vagas para internação de dependentes químicos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e uma estimativa de 39 mil usuários de drogas e álcool, Ribeirão Preto (SP) tem dificuldade em tratar viciados em drogas. Problema que, segundo a Prefeitura, afeta 6% da população, em famílias como da dona de casa Luíza Marques Emílio, de 64 anos.

Há mais de um mês, ela diz que tenta internar pelo menos um de seus três filhos que são usuários de crack e cocaína. “Geralmente, tem que pagar um lugar para eles ficarem e eu não tenho como pagar. Faz mais de um mês que eu estou aguardando pelo menos uma vaga. Mesmo assim é por pouco tempo”, lamentou Luíza, que não tem dinheiro para bancar tratamentos particulares e reclama da falta de leitos gratuitos na cidade.

Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, dos 56 leitos para o tratamento dos dependentes químicos na região, 26 estão em Ribeirão. O Hospital das Clínicas (HC) abriga seis dessas vagas e atende apenas casos de urgência e emergência. Os outros 20 leitos estão no Hospital Santa Tereza, onde o paciente recebe atendimento de desintoxicação e pode permanecer internado por, no máximo, 15 dias.

Viúva, Luíza luta todos os dias para conviver com o vício em sua família sem poder depender do SUS. O filho do meio, de 33 anos, além de dependente de álcool, também é esquizofrênico. Há quatro anos, em um surto de violência, matou o próprio pai durante uma discussão e ficou preso por nove meses. “Com a falta da bebida, ele fica agressivo, violento. Quer me agredir, tenho que esconder todas as facas”, contou a dona de casa.





O rapaz sai todos os dias de casa em busca de dinheiro na rua para comprar bebidas. Os outros dois filhos de Luíza são dependentes de drogas. O mais velho, de 41 anos, é viciado em crack e o caçula, de 30, é viciado em cocaína. “Não posso deixar nada em casa, pois o mais velho leva tudo embora para vender e consumir drogas”, disse a idosa.

Iniciativa própria
A falta de leitos psiquiátricos pelo sistema público de saúde motivou Márcia Macedo, presidente da Associação de Pais e Amigos de Dependentes Químicos de Ribeirão Preto, a arrecadar dinheiro e a fazer parcerias com clínicas particulares em prol de famílias como as de Luíza. Em 2011, ela teve que arrecadar dinheiro para pagar a internação de 11 dependentes.

“Depois da lei antimanicomial, acabaram com muitos leitos. Nós não temos onde colocar as pessoas que não têm condições de pagar, os menos favorecidos”, explicou Márcia. “Quando a família não tem condições, é o estado que tem que fazer a sua parte”, questionou a presidente.

Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto
O secretário de Saúde de Ribeirão, Stênio Miranda, disse que a Prefeitura oferece acompanhamento de viciados em álcool e drogas no Centro de Atenção Psicosocial (Caps) e que pretende ampliar o serviço nos próximos quatro anos. “Vamos fazer mais outros quatro Caps para o tratamento dos dependentes químicos. Será um para cada distrito e nós temos cinco distritos sanitários em Ribeirão”, disse.

Segundo ele, atualmente a Prefeitura custeia 20 vagas para os pacientes em um clínica particular. O secretário disse que pretende aumentar o convênio para mais 60 vagas. Entretanto, Miranda acha que o número ainda não é suficiente.

Fonte: G1





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