Testemunhas relatam detalhes sobre atentados na zona Norte de Ribeirão

Cerca de um mês e meio após a onda de atentados na zona Norte de Ribeirão Preto (SP), testemunhas contam detalhes sobre três homicídios no bairro Quintino Facci na tarde de 19 de outubro, ocorrências que fazem parte de um total de cinco mortes e oito pessoas feridas a tiros em menos de 24 horas. Os relatos são marcados pelo medo e pelo desejo de ver presos os responsáveis pelos assassinatos.

A mãe de um rapaz de 21 anos que morreu baleado em frente a um depósito de bebidas naquele dia, que não quis se identificar, relatou que eram por volta de 14h30 quando o filho deixou sua casa em direção à Rua Demétrio Chaguri, local dos fatos. “Ele disse que ia tomar um guaraná e conversar com uma menina no depósito. Tomou banho, almoçou e desceu”, afirmou a moradora do Quintino, sobre a última vez que viu o rapaz vivo.

Trinta minutos depois, segundo ela, aconteceu o inesperado: “Quando eram três horas da tarde os bandidos assassinos passaram atirando e mataram meu filho”, afirmou a testemunha, que viu a vida de sua família desmoronar após o episódio e quer justiça. “Quero esses bandidos atrás das grades e quero ver a cara deles. Meu marido está doente, queremos nosso filho, mas não o temos mais.”

Diante da falta de respostas para o assassinato e da indefinição de autoridades policiais sobre o assunto, a mãe se ampara em uma crença pessoal: “Até hoje não deu em nada, mas pela justiça de Deus eles vão pagar”, afirmou.





Uma jovem moradora do bairro, que também não quis se identificar por medo de represálias, se recorda de como foi o tiroteio, segundo ela, provocado por dois motociclistas difíceis de serem identificados. Ela caminhava pela calçada no outro lado da rua quando testemunhou os homicídios. ”Vi três rapazes na esquina conversando. Chegaram dois caras de moto, com capacete fechado e roupas escuras já atirando. Fiquei assustada e fui andando rápido”, disse.

Na sequência, um rapaz caiu morto na calçada e os outros dois saíram correndo para dentro do depósito onde foram perseguidos antes de serem executados. “Foi para matar, eles caíram de uma vez”, afirmou a jovem. Após mais de 40 dias passados desde que as cenas passaram diante de seus olhos, ela confirma que sua rotina mudou. “A violência está demais, fico assustada.”

Atentados
Cinco pessoas foram baleadas e oito ficaram feridas durante uma onda de atentados em bairros na zona Norte de Ribeirão Preto (SP) entre 19 e 20 de outubro. As ocorrências foram registradas no Jardim Jandaia, Presidente Dutra II, Orestes Lopes de Camargo, Ipiranga e Quintino Facci. De acordo com informações da Polícia Civil, os disparos foram executados por ocupantes de motocicletas não identificados. Ao menos quatro dos 14 que foram atingidos eram menores de idade.

Diante de cobranças da comunidade sobre a investigação dos crimes, o delegado de Investigações Gerais de Ribeirão Preto, Haroldo Chaud, disse há duas semanas que a Polícia Civil continua a apurar as causas dos atentados e que os inquéritos sobre as mortes devem ser prorrogados por se tratarem de casos complexos.

Fonte: G1





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